Histórias de adulto AHSD
Um olhar externo sobre três adultos com Altas Habilidades e Superdotação em histórias hipotéticas, mas muito frequentes em toda a parte. E você, sentiu-se assim em algum momento de sua vida?
Aos 21 Anos: "O Bambu Chinês Que Ainda Não Floresceu"
Carlos, com 21 anos, era um mistério para a família. Super inteligente, raciocínio rápido, fazia links e associações que ninguém mais fazia. Mas, diferente dos colegas, ainda não tinha "sucesso financeiro ou acadêmico" significativo. Ele era o "bambu chinês" da história: demorava pra desenvolver a raiz, pra que as coisas "aparecessem", mas quando aparecia, vinha com força total.
O sistema educacional brasileiro, que muitas vezes não sabe lidar com AHSD, não o ensinou a fazer esforço, já que ele sempre aprendeu tudo de forma passiva, quase por osmose. Agora, na faculdade, onde o esforço era crucial, ele travava. A motivação dele era essencialmente intrínseca, e ele tinha dificuldade em se motivar por recompensas externas, o que era um problemaço. Ele se sentia deslocado, estranho, como se fosse de outro mundo. O Carlos era um idealista, mas via o mundo aquém dos seus ideais, e isso gerava um desespero existencial. A cobrança interna, o perfeccionismo e a procrastinação eram gigantes. Ele precisava aprender a sustentar a motivação e a lidar com o hiperfoco de forma consciente.
Aos 25 Anos: "A Empatia Corrosiva e o Preço da Profundidade"
Aos 25, Beatriz era uma jovem profissional em ascensão, mas emocionalmente exausta. Ela tinha uma hiper-responsabilidade precoce e uma empatia tão profunda que se tornava "corrosiva" ou patológica. Ela sentia as emoções dos outros com uma intensidade avassaladora, muitas vezes se prejudicando para não "fazer mal ao outro". Um exemplo? Pegar o trabalho extra de um colega sobrecarregado, mesmo que isso significasse trabalhar a noite toda e prejudicar sua própria saúde.
A Beatriz valorizava a autenticidade e buscava conexões significativas baseadas em ideias e valores. Por isso, ela sentia um desconforto enorme em situações sociais superficiais, como o "papo de corredor" no trabalho. Era difícil para ela encontrar pessoas que "entrassem junto na profundidade e na complexidade". Essa dificuldade de se relacionar com a superficialidade e a rigidez em relação a valores éticos e morais a isolavam ainda mais.
Aos 35 Anos: "A Luta Invisível do Profissional Não Identificado"
Ricardo, um engenheiro de software de 35 anos, era um profissional brilhante, conhecido por suas soluções inovadoras e sua capacidade de resolver problemas complexos. Mas por dentro, ele travava uma "luta invisível". Ele sofria de ansiedade crônica, depressão e um perfeccionismo extremo. Apesar de todo o seu sucesso, ele não confiava nas próprias capacidades e se sentia "pouco inteligente". Essa autocrítica e auto-julgamento constantes eram uma característica marcante.
O Ricardo nunca tinha sido identificado como superdotado na infância. Ele achava que era "meio maluco" porque as pessoas não o entendiam, nem suas perguntas profundas, nem seus questionamentos sobre os assuntos mais diversos. Essa falta de informação sobre a condição o levou a desenvolver vários transtornos, e ele estava sempre tentando achar a solução do seu problema na "área errada". A hiper-responsabilidade dele o fazia se preocupar com a "situação do mundo inteiro", desde a economia global até a saúde emocional dos amigos, aumentando seu nível de estresse. O estresse, para alguém com um sistema nervoso super excitável, é muito mais patológico.
Não é só sobre ser "inteligente", é sobre vivenciar o mundo de um jeito único, com desafios e potências que a maioria das pessoas nem imagina.
O mais importante é reconhecer e validar essas características, que muitas vezes são confundidas com problemas ou até "maluquices". Não é sobre se "normalizar", mas sobre aprender a gerenciar essas intensidades, potencializar as forças e construir uma vida mais autêntica. É como a gente sempre diz: o autoconhecimento é a primeira ferramenta que a gente precisa na vida. E pra essa galera, que se sente tão diferente dos "neurotípicos", entender como funciona o próprio cérebro e as próprias emoções pode ser um verdadeiro divisor de águas, a "chave" para liberar o vasto potencial que têm.
Se você se identificou com alguma dessas histórias, ou se conhece alguém que se encaixa nesse perfil, saiba que tem um caminho, tem solução e, acima de tudo, você não está sozinho. É um mundo complexo, sim, mas com o conhecimento certo, a gente consegue transformar essa luta invisível em uma jornada de muito impacto e realização.